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Usos de “Onde” e “Aonde”

“Onde” e “Aonde” indicam lugar, entretanto, não podem ser utilizados no mesmo contexto, pois indicam, respectivamente, localização e movimento.

Exemplo:

- Aonde você vai?

- Não sei, primeiro preciso de saber onde estou.

 

ONDE- esta palavra indica lugar físico, por isso não pode ser usada em frases, situações em que a ideia de lugar não esteja presente. Usamos, por isso, com verbos que não indicam movimento.

Exemplos:

Onde você está agora?

Onde Paulo trabalha?

A faculdade onde João estuda fica longe daqui.

A casa onde moro é perto de meu trabalho.

 

AONDE – é um advérbio, entretanto não deve ser utilizado quando a ideia for de lugar, no sentido de localização, mas quando transmitir a ideia de movimento.

Exemplos:

Aonde você vai agora?

Aonde o jogador chegará na meta final?

Aonde Paulo se dirigiu quando saiu do colégio?

 

O uso de “ah”, “há” e “à”

 

"ah" é uma interjeição exclamativa. Serve para exprimir admiração.

Exemplo: Ah, que bébé tão lindo!

 

– este vocábulo, é uma forma do presente do indicativo (3.ª pessoa do singular) do verbo haver. Este verbo tem várias significações e uma das formas de termos a certeza de que se trata da forma verbal, é substitui-la por um sinónimo, como "existe"

Exemplo:

Ele disse que há um acento na palavra.

 

à – O Emprego do "à" com o sinal diacrítico ( ` ), denominado acento grave, indica que o artigo "a" é precedido pela preposição "a" como exemplificado acima, em 3.4. O que temos aí é a fusão dessas duas vogais iguais, ocorrendo, dessa forma, o fenômeno da crase**.

 Em síntese, quando houver a fusão (crase) de:

a = preposição

a = artigo

O acento diacrítico será empregado, e isso ocorre somente diante de palavras femininas.

 

Exemplo a) Fui a + a feira. = à feira.

a = preposição

a = artigo

feira = substantivo feminino

 

Exemplo b) Fui àquela festa. = Fusão de a + aquela festa.

Exemplo c) Esta é a moça à qual me refiro. = Fusão de a + a qual

Exemplo d) Vou à Itália. (diante de lugares)

Exemplos e) A cidade de Manaus está à margem esquerda do rio Negro. Vendi à vista. Saio, às vezes, aos finais de semanas. (Todas as locuções adverbiais femininas, exceto as expressões de instrumento. Ex.: Escrevo a máquina. O infeliz foi ferido a bala.).

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Textos poéticos, figuras de estilo, verbo

Introdução

Entre os vários tipos e estilos de textos, temos um que se destaca pela riqueza e também pela complexidade de sua formação: estamos falando do texto poético, uma expressão literária de grande importância. O texto poético pode ser classificado como aquele que é escrito em versos e que apresenta uma linguagem específica, com significados profundos e recursos especiais.

Os textos poéticos são escritos pelos poetas, a partir de experiências pessoais, sentimentos, fatos, reflexões, etc. O poeta pode ser considerado a voz do poema. O texto poético apresenta maneiras únicas de expressar algo por meio das palavras. É um texto expressivo, sensível, com ritmo e, até mesmo, uma musicalidade própria. Entretanto, nesta abordagem irá se tratar dos textos poéticos, juntamente com as figuras de estilo e o verbo.

 

Textos poéticos

Definição

Um texto é um conjunto de signos, codificados num sistema, com o intuito de transmitir uma mensagem. A poesia, por sua vez, está associada à carga estética das palavras, especialmente quando estão organizadas em verso.

O texto poético é portanto aquele que apela a diversos recursos estilísticos para transmitir emoções e sentimentos, respeitando os critérios de estilo do autor. Nas suas origens, os textos poéticos tinham um carácter ritual e comunitário, embora tenham aparecido outras temáticas ao longo dos anos. Os primeiros textos poéticos, por sua vez, foram criados para serem cantados.

O mais habitual é que o texto poético esteja escrito em verso e se chame poema ou poesia. Existem, no entanto, textos poéticos desenvolvidos sob a forma de prosa. Os versos, as estrofes e o ritmo compõem a métrica do texto poético, onde os poetas gravam o cunho dos seus recursos literários.

Os textos poéticos destacam-se pela inclusão de elementos de valor simbólico e de imagens literárias. Desta forma, cabe ao leitor ter uma atitude activa para descodificar a mensagem. 

No género poético, é evidenciada a estética da linguagem acima do próprio conteúdo graças a diversos procedimentos a nível fonológico, semântico e sintáctico. O texto poético moderno costuma caracterizar-se pela sua capacidade de associação e de síntese, com abundância de metáforas e de outras figuras literárias.

 

Elementos de textos poéticos

  • Sujeito poético – É quem fala sobre as experiências, sentimentos e vivências.
  • Verso – É cada uma das linhas que fazem parte do poema.
  • Estrofe – É o conjunto de versos separados com um espaço em branco. As estrofes podem ser monósticas, dísticas, tercetas, quadras, quintilhas, sextilhas, sétimas, oitavas, nonas e décimas.
  • Rima – É todo som semelhante apresentado no final dos versos. As rimas acompanham um esquema rimático e podem ser emparelhadas, cruzadas ou interpoladas. Os versos que não rimam são chamados de versos soltos.
  • Métrica – Diz respeito à medida do verso (número de sílabas métricas gramaticais).

 

Figuras de estilo

A figura de estilo é uma forma de enunciar um significado através de uma palavra ou expressão que no é o termo «próprio» que não costuma ser usado para esse significado. As figuras de estilo dividem-se em três grandes grupos: figuras de linguagem, figuras de sintaxe e figuras de pensamento.

 

Principais figuras de pensamento

Figuras de estilo

A figura de estilo é uma forma de enunciar um significado através de uma palavra ou expressão que não é o termo «próprio», que não costuma ser usado para esse significado. As figuras de estilo dividem-se em três grandes grupos: figuras de linguagem, figuras de sintaxe e figuras de pensamento.

 

As principais figuras de pensamento são:

Interrogação retórica – É uma pergunta que se faz, não para obter resposta, mas, geralmente, para deixar o receptor a pensar sobre o assunto ou para dar seguimento à exposição da ideia do emissor.

Ex: Quem teria coragem de permanecer na sua Pátria num clima de tensão?!

 

Exclamação – Expressão espontânea de um vivo e súbito sentimento de dor, de alegria, de pesar, de admiração, de cólera, entre outros.

Ex: Que lindo dia deverão!


Hipérbole – Exagero da verdade das coisas, quando se quer enfatizar uma grande quantidade ou conferir muita intensidade.

Ex: Estou a morrer de sede!

 

Apóstrofe – Interrupção brusca do assunto para o orador ou o escritor se dirigir a uma pessoa ou coisa, presente ou ausente, real ou fictícia.

Ex: Ó glória de mandar, ó vã cobiça

 Desta vaidade a que chamamos fama!

Luís Vaz de Camões, Os Lusíadas

 

 


Prosopopeia, personificação ou animismo – Introdução no discurso de pessoas ausentes ou mortas, divindades, animais ou seres inanimados a quem se atribui fala, acção e sentimentos próprios das pessoas.

Ex: A cidade está cheia de prédios que rasgam os Céus.

 

Perífrase – Emprego de muitas palavras para transmitir um significado que geralmente é dado por uma só palavra ou por uma expressão mais curta. Costuma usar-se para evitar uma repetição, ou para definir um conceito, ou ainda para revelar/explicitar um dado.

Ex: Na tristeza das horas sem luz

em vez de

Na tristeza dos noites

 

Antítese ou contraste – Oposição de duas expressões, para significar algo que é aparentemente contraditório.

Ex: Uma doce tristeza!

Noémia de Sousa, Sangue Negro

 

Gradação – Disposição das palavras e ideias por ordem crescente ou decrescente da sua significação.

Ex: Por uma omissão perde-se uma inspiração; por uma inspiração perde-se um auxílio; por um auxílio, uma contrição; por uma contrição, uma alma.

Padre António Vieira, Sermão da Primeira Dominga do Advento

 

Verbos

Verbo é a classe de palavras que se flexiona em pessoa, número, tempo, modo e voz. Pode indicar, entre outros processos:

·         ação (correr);

·         estado (ficar);

·         fenômeno (chover);

·         ocorrência (nascer);

·         desejo (querer).

O que caracteriza o verbo são as suas flexões, e não os seus possíveis significados. Observe que palavras como corrida, chuva e nascimento têm conteúdo muito próximo ao de alguns verbos mencionados acima; não apresentam, porém, todas as possibilidades de flexão que esses verbos possuem.

 

Classificação dos Verbos

Os verbos são classificados da seguinte forma:

  • Verbos Regulares - Não têm o seu radical alterado. Exemplos: falar, torcer, tossir.
  • Verbos Irregulares - Nos verbos irregulares, por sua vez, o radical é alterado. Exemplos: dar, caber, medir. Quando as alterações são profundas, eles são chamados de Verbos Anômalos; é o caso dos verbos ser e vir.
  • Verbos Defectivos - Os verbos defectivos são aqueles que não são conjugados em todas as pessoas, tempos e modos. Eles podem ser de três tipos:
  1. Impessoais - Quando os verbos indicam, especialmente, fenômenos da natureza (não tem sujeito) e são conjugados na terceira pessoa do singular, são verbos impessoais. Exemplos: chover, trovejar, ventar.
  2. Unipessoais - Quando os verbos indicam vozes dos animais e são conjugados na terceira pessoa do singular ou do plural, são verbos unipessoais. Exemplos: ladrar, miar, surtir.
  3. Pessoais - Quando os verbos têm sujeito, mas não são conjugados em todas as pessoas, são verbos pessoais. Exemplos: banir, falir, reaver.
  • Verbos Abundantes - Os verbos abundantes são aqueles que aceitam duas ou mais formas. É comum ocorrer no Particípio. Exemplos: aceitado e aceito, inserido e inserto, segurado e seguro.

 

Estrutura das Formas Verbais

Do ponto de vista estrutural, uma forma verbal pode apresentar os seguintes elementos:

a)      Radical: é a parte invariável, que expressa o significado essencial do verbo. Por exemplo:

fal-ei; fal-ava; fal-am. (radical fal-)

 

b)     Tema: é o radical seguido da vogal temática que indica a conjugação a que pertence o verbo. Por exemplo:

fala-r

São três as conjugações:

1ª - Vogal Temática - A - (falar)

2ª - Vogal Temática - E - (vender)

3ª - Vogal Temática - I - (partir)

 

c)      Desinência modo-temporal: é o elemento que designa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo:

falávamos (indica o pretérito imperfeito do indicativo.)

falasse (indica o pretérito imperfeito do subjuntivo.) 

d)     Desinência número-pessoal: é o elemento que designa a pessoa do discurso (1ª, 2ª ou 3ª) e o número (singular ou plural). Por exemplo:

falamos (indica a 1ª pessoa do plural.)

falavam(indica a 3ª pessoa do plural.)

 

Observação: o verbo pôr, assim como seus derivados (compor, repor, depor, etc.), pertencem à 2ª conjugação, pois a forma arcaica do verbo pôr era poer. A vogal "e", apesar de haver desaparecido do infinitivo, revela-se em algumas formas do verbo: põe, pões, põem, etc.

 

 

 

 

Conclusão

Fim do trabalho pôde concluir-se que a leitura de um poema oferece uma ampla gama de possibilidades. Assim, o texto poético costuma ter uma característica única: expressa sentimentos dirigidos para comover o leitor. Sua forma gráfica se apresenta em versos acompanhados de espaços em branco. Por outro lado, as palavras incorporam certa musicalidade e um sentido do ritmo implícito.

Pôde constatar-se ainda que as figuras de estilo ou figuras de retórica são estratégias que o orador (ou escritor) pode aplicar ao texto para conseguir um determinado efeito na interpretação do ouvinte (ou leitor). Podem relacionar-se com aspectos semânticos, fonológicos ou sintácticos das palavras afectadas. O verbo é a classe de palavras que exprime ação, estado, mudança de estado, fenômeno da natureza e possui inúmeras flexões, de modo que a sua conjugação é feita mediante as variações de pessoa, número, tempo, modo, voz e aspeto.

 

 

Bibliografia

·         KAYSER, Wolfgang (1976): Análise e Interpretação da Obra Literária [4ª Ed. revista pela 16ª alemã por Paulo Quintela]: Arménio Amadado, Editor, Sucessor: Coimbra.

·         CUNHA, Celso (1976): Gramática do Português Contemporâneo [6ª Eed. revista]: Editora Bernardo Álvares, S. A..Belo Horizonte.

·         PINTO, José M.; PARREIRA, Manuela; LOPES, M. do Céu Vieira: Gramática do Português Moderno: Plátano Editora. Porto.

·         ALVES, Manuel dos Santos (1978): O Texto Literário __ Linguística, Poética, Estilística, Géneros Literários, Textos: Livraria Popular de Francisco Franco. Lisboa.

·         FIGUEIREDO, Jorge V., BELO, Maria Teresa (1985): Comentar Um Texto Literário: Editorial Presença. Lisboa.

 

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Visita ao Monte “Cabeça do Velho” – Relatório

Foi na hora 08:00 da manhã que partimos do quartel rumo a famosa e misteriosa montanha “Cabeça do Velho”.

Falando um pouco deste monte, a “Cabeça de Velho”, como o nome verdadeiro (Monte Bengo) uma rocha considerada misteriosa por se parecer com a cabeça humana, de um idoso careca, barbudo, deitado de costas e a chorar. “Ndhunu rinoera” é uma expressão em língua local que significa “sagrado natural”. É esta atribuição categórica que a Cabeça do Velho recebe na cidade de Chimoio por ser lá onde são invocados os espíritos dos antepassados para se comunicarem com os deuses, pois numa pequena mata existente na montanha fica localizado um cemitério onde estão sepultados alguns líderes tradicionais de “Mandiquice”.

São os espíritos destas figuras que servem de intermediários entre a comunidade viva e os “deuses”, comunicando sobre as preocupações da população. De entre as preocupações mais frequentes figuram a falta de chuvas, doenças e mortes excessivas.

 

O Nosso Trajecto Até a Cabeço do Velho

Para escalar a cabeça do velho existem várias maneiras e caminhos. Pode partir-se da rua do Báruè no centro da cidade ou se quiser, do edifício “Manuel Nunes”, seguindo a via que dá acesso ao bairro Josina Machel, passa-se pela Escola Eduardo Mondlane em linha contínua até a Escola Primária “Cabeça do velho” que se situa mesmo nas imediações do monte. A partir desta escola, já é possível ter acesso a via que dá ao monte.

A caminhada até a escola pode ser feita de qualquer meio, carro, moto, bicicleta ou caminhada. Já a partir desta escola ao cimo do monte só pode caminhar-se.

Da base do monte “suas bermas” para o cimo ou topo fazemos a caminhada podendo durar mais ou menos 10 minutos.

Antes da escalar ao monte, todo e qualquer um é submetido a um ritual ou pequena cerimónia tradicional dirigida pelas autoridades tradicionais locais. E objectivo deste ritual é de comunicar aos espíritos dos antepassados, que alegadamente existem por lá, sobre a visita que vão receber e assim, para que nada de mal aconteça durante a visita.

Ao longo da caminhada, o visitante que for ao monte também se inteira da vida dos citadinos de Chimoio, povo que todos os dias está empenhado nas suas actividades comerciais de grande e pequena escala, sendo no mercado ou em sua casa. Este é, sem sombra de dúvidas, um povo feliz e hospitaleiro.

 

As Nossas Actividades Durante a Visita

Dependendo do motivo da visita, uma vez que esta pode, para além de ser turística, motivada por um estudo qualquer sobre o local, o visitante tem várias opções de actividades.

Para nós, devido ao curto espaço de tempo, não pudemos realizar muitas actividades, porém, conseguimos aprender muita coisa cultural daquele lugar. Uma das coisas mais marcantes foi a oração feito por diversos colegas no topo da montanha. Também aproveitamos a oportunidade tirar fotografias, vídeos, diversão e aprender acima de tudo.

Para o turista, uma das principais actividades que pode desenvolver no local é a fotografia. A cabeça do velho oferece uma vista de uma linda paisagem que desperta a qualquer um, mesmo aquele que não tem gosto ou talento na fotografia, a tirar uma foto para recordação.

 

O Que Pudemos Aprender Durante a Visita

Durante a nossa visita, pudemos aprender que a cabeça do velho é uma zona largamente famosa pelos seus mitos e tabus. Informações em nosso poder indicam que do monte verificava-se, nas manhãs, cabritos, leopardos de cor branca, lagartos maiores, roupas estendidas na montanha, instrumentos como Phacabulhas, bengalas e outros.

Um dos animais evidenciados mitos é onde um bode que circulava pela cidade de Chimoio, no período antes da sua expansão. Fala-se que este animal quando chegasse num curral e caso encontrasse outros animais domésticos, arrastava-os consigo até ao monte. Igualmente ouvia-se o soar de batuques no monte sem que alguém esteja lá. Diz-se também que devido a estes mistérios, as autoridades coloniais nunca chegaram a escalar o cimo do monte. Supõe-se que estes mistérios têm ligação com os espíritos dos líderes tradicionais sepultados no local.

Nunca foi permitido capturar ou tocar tanto os animais, assim como os outros instrumentos que apareciam e desapareciam, sob o risco de ficar com espíritos malignos “njuzo” para o resto da vida. Também é proibido escalar o monte sem a devida autorização das autoridades locais e antecipado ritual tradicional. Estes passos obrigatórios a seguir, sempre determinaram o sucesso da actividade a realizar no monte, caso contrário, há sempre algo de mal que acontecia podendo ser um encontro com animais estranhos.

Depois de escalar o cimo do monte, é proibida a prática de actividades indecentes como beijar, namorar, manter relações sexuais, urinar, defecar, assim como deixar por lá instrumentos estranhos, que alguém tenha levado fora do monte, pois podem acontecer mistérios.

Os mistérios também acontecem na positiva para comunicar algo ou por felicidade dos espíritos quando estes são bem tratados pelos visitantes. Um dos mistérios acontecidos na positiva e que os citadinos recordam sempre, foi a quando da passagem da chama da unidade nacional pela cidade de Chimoio em 2005. Apareceu um cabrito estranho com um pano vermelho enrolado na região do pescoço no momento em que o antigo Presidente do Conselho Municipal de Chimoio Alberto Sarande entregava a tocha ao Administrador de Gondola, na altura, Eduardo Gimo. O cabrito, que se supõe seja da mesma geração dos cabritos que ocorrem na cabeça do velho, posicionou-se entre os dois dirigentes. Por conta disso, as autoridades governamentais organizaram, de seguida, uma cerimónia tradicional no sopé do monte em que a principal mensagem foi pedido de chuva e, de seguida, realmente, por coincidência ou não, choveu.

 

 

 

Em Casos de Hospedagem

Embora o nosso grupo não pretendesse hospedar-se local, pois a maior parte de nós somos residentes locais. Mas, tratando-se turistas, é importante referir que em termos práticos, a cabeça do velho não oferece qualquer tipo de alojamento, embora no local, as populações locais, quando estão em seus habituais rituais religiosos chegam a pernoitar por lá.

Portanto, o turista que pretender escalar a cabeça do velho só poderá alojar-se na cidade de Chimoio onde as opções de alojamento são, um tanto o quanto, muitas, embora haja necessidade de se investir mais na acomodação, tanto em número, assim como em qualidade.

 

Constatações Finais

Foi precisamente as 12 horas e 30 minutos que regressávamos no quartel, tendo sido uma visita muito exaustiva, mas sobretudo educativa. É de se referir que foi uma de extrema importante importância no que diz respeito a conhecer e valorizar os nossos valores culturais e tradicionais. E como já referido, o monete Cabeça do Velho, é realmente um centro turístico de grande importância para a nossa província isso devido a sua beleza e seus mistérios.

 

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Variação da Língua Portuguesa no Brasil e em Moçambique

 Variação da Língua Portuguesa no Brasil e em Moçambique

Uma língua viva, apesar da unidade que a torna comum a uma nação, apresenta variedades quanto à pronúncia, à gramática e ao vocabulário.

Chama-se variação linguística a essa propriedade de diferenciação de uma língua em função do espaço geográfico, da sociedade, da situação e do tempo, dando origem a variantes e a variedades linguísticas (Gomes, 2003).

 

Diversidades do Português

As variedades do português surgem por variação e mudança linguística como resultado do contacto histórico da população de língua materna portuguesa com falantes de outras línguas ao longo do processo da expansão e colonização.

 

Diversidade Europeia

É a língua portuguesa falada em Portugal continental e nos arquipélagos da Madeira e dos Açores. Com o convencionar de que a variedade de Lisboa se constitui como língua padrão, o português foi dividido em dois grandes grupos dialectais: o setentrional, ao norte, e o centro-meridional, ao sul e arquipélagos (Gomes, 2003).

 

Diversidade Brasileira

É a língua portuguesa falada no Brasil, com algumas diferenças em relação à variedade europeia, como a audibilidade das vogais. O português do Brasil tem algumas variações, mas, como diz Paul Teyssier, "as divisões dialectais do Brasil são menos geográficas que socioculturais".

Geograficamente, é possível observar uma oposição norte/sul, entre os estados do litoral acima do estado da Baía (inclusive) e os que estão abaixo, com base na realização aberta das pretónicas ao norte e sua realização fechada ao sul; uma oposição entre a cadência, verificada no Norte, e a pronúncia "cantada", no Sul.

 

Diversidades Africanas

São a língua portuguesa com desvios resultantes do contacto com as línguas locais dos países de expressão lusófona em África. Em geral, as variedades africanas de língua portuguesa que têm sido alvo de descrição são as do português de Angola (só o de Luanda) e de Moçambique, embora outras mereçam um estudo específico, como as de Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, onde o português é a língua oficial, mas tanto o crioulo como os dialectos regionais são bastante importantes.

Angola e Moçambique têm o português como língua oficial e, para muitos falantes, também materna, mas em convivência com esta há diversos grupos linguísticos, por vezes subdivididos em dialectos, que lhe emprestaram modos, sotaques, vocábulos e formas de construção.

 

As Principais Marcas Distintivas das Variedades do Português no Brasil e em Moçambique

A nível Ortográfico

ü  Supressão de consoantes muda (as que não são pronunciadas) no português do Brasil.

Exemplo:

Português Brasileiro (PB)

Português Moçambicano (PM)

fator

factor

ótimo

óptimo

Algumas destas diferenças são anuladas pelo acordo  Ortográfico de 1990.

 

ü  Uso do trema no português do Brasil, sinal abolido em Portugal desde 1946, antes de e ou i, quando o u é pronunciado.

 Exemplo:

Português Brasileiro (PB)

Português Moçambicano (PM)

agüentar

aguentar

antiqüíssimo

antiquíssimo

 

 

 

ü  Em palavras esdrúxulas e algumas graves (terminadas em –n, -r, -s ou –x), antes de –m- ou –n-, as vogais –e- e –o- são acentuadas de forma diferente nas duas variedades, o que reflecte pronúncia diversas.

 

 

 

 

Exemplo:

Português Brasileiro (PB)

Português Moçambicano (PM)

quilômentro

quilómentro

gêmeo

gémeo

tênis

ténis

 

ü  Diferente acentuação também nas terminações –eica- e –oo-.

Exemplo:

Português Brasileiro (PB)

Português Moçambicano (PM)

assembléia

assembleia

vôo

voo

 

A Nível Semântico

As diferenças a este nível são inúmeras, seja pela influência das línguas indígenas, que estão na origem de muitos brasileiros (ex.: guri, mingau), seja pelo diferente uso das palavras (ex.: banheiro, no significa casa-de-banho e em Moçambique salva-vidas).

 

A Nível Fonético

A diferença mais audível entre as duas variantes é a qualidade das vogais, que são geralmente mais elevadas e fechadas no português de Moçambique (PM) do que do português do Brasil (PB) quando não sâo tónicas. Exemplo: coluna lê-se c[ó]lun[á] (PB) e c[u]lun[a] (PM).

Há ainda pronúncias tipicamente brasileiras que introduzem o som [i] entre duas consoantes. Exemplo: captura e pneu lêem-se cap[i]tura e p[i]neu (PB) / ca[pt]ura e [pn]eu (PM).

Conclusão

A língua não é usada de modo homogéneo por todos os seus falantes. O uso de uma língua varia de época para época, de região para região, de classe social para classe social, e assim por diante, é neste âmbito constata-se que o português falado no Brasil e em Moçambique existe alguma diferença sobre tudo nos seguintes níveis: ortográfico, semântico e lexical, sintáctico, morfológico e fonético.

Pude constatar também que nos últimos anos, a influência brasileira tem deturpado muito o português moçambicano para além da nossa cultura.


Bibliografia

·         GOMES, Christina Abreu, Variação e mudança na expressão do dativo no português brasileiro, Rio de Janeiro, 2003

·         GONÇALVES, Perpétua, A Nativização da Língua Portuguesa em Sociedades Africanas Pós-Coloniais: o Caso de Moçambique, Cascais, 2003

·         GONÇALVES, Perpétua, A construção de uma gramática do português de Moçambique: aspectos da estrutura argumental dos verbos, Lisboa, 1990

·         HAMILTON, Russell, A literatura dos países africanos de língua oficial portuguesa. Edições Cosmos e Cátedra Jorge de Sena, Rio de Janeiro, 2000

·         MATEUS, Maria Helena Mira, Português europeu e português brasileiro: duas variedades nacionais da língua portuguesa.  Gramática da Língua Portuguesa, 5.ª ed., Lisboa, 2003

·         VILLAR, Mauro, Dicionário Contrastivo Luso-Brasileiro, Editora Guanabara, Rio de Janeiro, 1989

 

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